Cercas naturais, vasos de plantas e outros itens transformam a experiência de quem frequenta a academia, conectando usuários à natureza

Segundo país com maior número de academias por habitante no mundo, de acordo com o IHRSA Global Report 2015, o Brasil reúne mais de 30 mil unidades, de norte a sul do país, somando cerca de 8 milhões de alunos matriculados.

Para boa parcela dessa população, o culto ao físico começa a andar de mãos dadas com outros atributos que impulsionam a ida à academia: conforto, beleza e, por que não, a sustentabilidade do projeto.

De olho nessa fatia do mercado, empresários e investidores têm se movimentado para aliar novas experiências ao treino.

Um bom exemplo é o da Reserva Fitness, academia localizada em Resende, cidade turística da região das Agulhas Negras, ao sul do Rio de Janeiro.

Inaugurada em 2016, a unidade teve projeto arquitetônico inspirado nas montanhas e cachoeiras que rodeiam a cidade. Conta com cercas naturais, jardins e vasos de plantas nos ambientes internos. “A academia em si é um espaço muito urbano. Aqui, a ideia foi preservar o verde e oferecer o contato com a natureza para estimular o prazer de treinar”, conta o proprietário Welber Melo.

Recursos sustentáveis também fazem parte do projeto, assinado pelo Escritório de Arquitetura Patricia Totaro, o primeiro do Brasil especializado em academias de ginástica. O prédio de três andares mantém vidros especiais que retém 70% do calor e preservam a luz natural, além de telhado termostático e sistema de captação da água da chuva, que é distribuída nas torneiras e vasos sanitários.

De acordo com Patricia Totaro, o movimento de adoção de práticas sustentáveis em projetos de academias tem crescido bastante nos últimos 10 anos. “Os empresários estão percebendo que, além da questão ambiental, a sustentabilidade funciona como marketing positivo. Os clientes entendem que o grupo faz algum bem para a natureza e para a sociedade”.

Retorno

Outra rede que colhe os resultados do modelo de negócios pautado em sustentabilidade é a Ecofit Club. Recém-inaugurada, a unidade da Aclimação também contou com o projeto do escritório Patricia Totaro. Música empolgante e aparelhos de última geração complementam a receita que inclui os princípios da construção sustentável com materiais recicláveis, iluminação natural e aproveitamento de água da chuva.

Patricia Totaro afirma que os resultados desse investimento vêm em forma de economia de custo fixo. Segundo ela, após a crise de 2016/2017, os empresários perceberam o quanto a redução de custos fixos pode contribuir para os negócios, mas é importante ter em mente que, a cada novo projeto, é necessário refazer essa equação para acompanhar a evolução dos sistemas.

“Estamos em fase de testes com placas solares que, além de aquecerem a água, geram energia elétrica. Embora já utilizadas, em larga escala, em outros projetos, na arquitetura de academias, ainda representam uma novidade.

“Inclusive, é possível gerar energia elétrica por meio das placas e, se sobrar energia, dá para negociar com a concessionária”, comenta Patricia que pondera: “a inovação exige investimento e demora um pouco para se pagar, mas o retorno é garantido e a contribuição para a reputação da marca vale todo o investimento”, destaca a arquiteta.